quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo..
Nunca imaginei que algumas pessoas pudessem durar tanto tempo no meu coração. Esse coração desajeitado que os afasta de mim. Mas se parar para pensar, os poucos sobreviventes do meu “náufrago emocional” são os necessários. Se fechar os olhos e imaginar uma tempestade emocional, são eles que me vêem a cabeça, para assim, me salvar. Sei que nesse pequeno coração há um lugar menor ainda no qual posso guardar cada ser deslumbrante que irá me salvar.
Não há bem que sempre dure, e nem há mal que nunca acabe! Tudo nesta vida termina mais cedo ou mais tarde. Mas é engraçado como tudo começa quando algo termina. É esta a lei da vida. Tudo vai e vem, progride e regride. Nascemos quando acaba a gestação, ficamos mais velhos cada vez que acaba um ano, morremos quando acaba a vida, e é nesse preciso instante que nasce outro alguém. Tudo passa, mas ao mesmo tempo tudo volta. Os ciclos repetem-se, no entanto nunca ao mesmo tempo, nunca da mesma forma.
Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
Ainda guriazinha eu já colava pedaços da Europa e da Ásia em grandes cadernos. Eram fotografias de quadros e estátuas, cidade, lugares, monumentos, homens e mulheres ilustres, meu primeiro contato com um futuro universo de surpresas. Colava também fotografias de estrelas e planetas, de um ou outro animal, e muitas plantas. O prazer, a sabedoria de ver, chegavam a justificar minha existência. Uma curiosidade inextinguível pelas formas me assaltava e me assalta sempre. Ver coisas, ver pessoas na sua diversidade, ver, rever, ver, rever. O olho armado me dava e continua a me dar força para a vida.